As pessoas me perguntam como eu estou depois de mais de 1 ano depois da perda do meu filho e sinceramente eu não sei ao certo como ficamos depois de uma perda tão drástica, tão dolorosa na vida de uma mulher. Ando conversando com meu marido e as vezes eu falo pra ele que eu não sei como sobrevivi a isto, como eu consegui viver, continuar a vida...Na verdade só sabemos o quanto somos fortes quando passamos por uma situação onde há apenas uma escolha: ou você vive(mesmo que carregando os cacos) ou se entrega e vai junto.
Eu no início a perda eu estava aérea, não sabia ao certo o que estava acontecendo, quem já passou por isto vai saber exatamente o que estou falando, não se sabe ao certo o que sentimos, o desespero é tanto que penso que o próprio cérebro se encarrega de nos "desligar" um pouco deste mundo e as percepções vão ficando estremecidas e quase que co-habitam com a gente, sem demonstrarem qualquer sinal de sobrevivência, você simplesmente está viva, ali e não sabe como vai ser daqui pra frente. Eu vivi tudo que se possa imaginar neste 1 ano e pouco, eu tive pulsões de morte, choros incontrolaveis, fé em prova, e hoje eu sinto que a pessoa não pode viver sem a fé, se naõ fosse a certeza que tenho que Deus esteve comigo em todos os momentos, eu já teria sucumbido.
Lembro-me de todas as movimentações daquele dia que seria então o dia do nascimento e não da morte do meu filho, e uma cena que me marcou muito foi que lá na mesa, estirada recebo a pior notícia da minha vida, que não haviam mais batimentos cardíacos em meu filho, eu estremeci cada parte do meu corpo e senti meu sangue parar de fluir nas veias, o médico saiu um pouco e eu e meu marido demos as mãos e clamamos a Deus que ressuscitasse o nosso filho que o "seguiríamos' o resto da vida, pedimos com tanta fé que parecia que havíamos nos transportado ao encontro de Deus, mas o fato não aconteceu, nosso filho não voltou ao folego de vida, mas entendemos que não podia mais, pois ele ja estava aos braços do Pai e que um dia, teríamos a restituição.
Infelizmente eu não vou findar minhas palavras aqui pois vou ver muitas mães perdendo seus filhos, no início a gente quer uma palavra de consolo, uma solução imediata, mas isto não funciona, as coisas precisam tomar seu lugar, precisamos organizar a nossa vida e o que posso dizer as que passaram por tamanha perda recentemente é que tudo vai chegar no seu lugar, a dor vai permanecer ali, quieta, no seu lugar e vamos ser, de certa forma, obrigadas a seguir em frente, talvez não por nós, mas por nossos filhos que se foram e pelos que estão chegando.
Talvez a maior prova de fogo do ser humano seja permanecer com fé diante de uma situação como a perda do filho, mas digo, nunca deixem de acreditar, pois um dia, não muito distante compreenderemos tudo isto.
Hoje se me perguntarem como você se sente depois de tanto tempo, eu digo: pra mim é como se tivesse sido hoje, mas o meu coração descansa e espera em Deus. A dor está aqui, vive em um lugar que é seu, mas eu segui a vida, estou aqui e talvez esteja servindo de exemplo para muitas pessoas.
Por meu filho Lucas sigo em frente, por meus bebezinhos sigo em frente.
































