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ÚLTIMO DESABAFO

As pessoas me perguntam como eu estou depois de mais de 1 ano depois da perda do meu filho e sinceramente eu não sei ao certo como ficamos depois de uma perda tão drástica, tão dolorosa na vida de uma mulher. Ando conversando com meu marido e as vezes eu falo pra ele que eu não sei como sobrevivi a isto, como eu consegui viver, continuar a vida...Na verdade só sabemos o quanto somos fortes quando passamos por uma situação onde há apenas uma escolha: ou você vive(mesmo que carregando os cacos) ou se entrega e vai junto. 
Eu no início a perda eu estava aérea, não sabia ao certo o que estava acontecendo, quem já passou por isto vai saber exatamente o que estou falando, não se sabe ao certo o que sentimos, o desespero é tanto que penso que o próprio cérebro se encarrega de nos "desligar" um pouco deste mundo e as percepções vão ficando estremecidas e quase que co-habitam com a gente, sem demonstrarem qualquer sinal de sobrevivência, você simplesmente está viva, ali e não sabe como vai ser daqui pra frente. Eu vivi tudo que se possa imaginar neste 1 ano e pouco, eu tive pulsões de morte, choros incontrolaveis, fé em prova, e hoje eu sinto que a pessoa não pode viver sem a fé, se naõ fosse a certeza que tenho que Deus esteve comigo em todos os momentos, eu já teria sucumbido. 
Lembro-me de todas as movimentações daquele dia que seria então o dia do nascimento e não da morte do meu filho, e uma cena que me marcou muito foi que lá na mesa, estirada recebo a pior notícia da minha vida, que não haviam mais batimentos cardíacos em meu filho, eu estremeci cada parte do meu corpo e senti meu sangue parar de fluir nas veias, o médico saiu um pouco e eu e meu marido demos as mãos e clamamos a Deus que ressuscitasse o nosso filho que o "seguiríamos' o resto da vida, pedimos com tanta fé que parecia que havíamos nos transportado ao encontro de Deus, mas o fato não aconteceu, nosso filho não voltou ao folego de vida, mas entendemos que não podia mais, pois ele ja estava aos braços do Pai e que um dia, teríamos a restituição. 
Infelizmente eu não vou findar minhas palavras aqui pois vou ver muitas mães perdendo seus filhos, no início a gente quer uma palavra de consolo, uma solução imediata, mas isto não funciona, as coisas precisam tomar seu lugar, precisamos organizar a nossa vida e o que posso dizer as que passaram por tamanha perda recentemente é que tudo vai chegar no seu lugar, a dor vai permanecer ali, quieta, no seu lugar e vamos ser, de certa forma, obrigadas a seguir em frente, talvez não por nós, mas por nossos filhos que se foram e pelos que estão chegando.
Talvez a maior prova de fogo do ser humano seja permanecer com fé diante de uma situação como a perda do filho, mas digo, nunca deixem de acreditar, pois um dia, não muito distante compreenderemos tudo isto.
Hoje se me perguntarem como você se sente depois de tanto tempo, eu digo: pra mim é como se tivesse sido hoje, mas o meu coração descansa e espera em Deus. A dor está aqui, vive em um lugar que é seu, mas eu segui a vida, estou aqui e talvez esteja servindo de exemplo para muitas pessoas. 
Por meu filho Lucas sigo em frente, por meus bebezinhos sigo em frente.

Depois de 1 ano, ainda vivemos o luto?

Bom, falei, falei e falei, fui contra os psicólogos que insistiam que eu me recuperasse em 6 mêses, o que não aconteceu, mas agora depois de 1 ano, eu vivo um luto diferente, acho que na verdade aconteceu o previsto, as coisas foram tomando o seu rumo, a dor foi se assentando, sempre companheira, mas agora ela está ali e vivemos com ela. O desespero do início foi embora, e agora concordo com os psicólogos que me disseram que aquele turbilhão todo ia passar, que eu ia viver novamente e que o luto seria algo que eu contornaria, pois faria parte de minha vida. Contorno sim, vivo ele sim, hoje de maneira mais madura e consciente; claro ainda sofro, mas não desespero mais, tento não entender, porque se ficarmos procurando respostas elas nunca aparecerão, eu procurei respostas ha 1 ano e eu não as tive, só vai piorando porque não se chega a lugar nenhum. O que eu fiz foi me acalmar e "esperar em Deus", como diz minha mãe, há coisas "grandes", superiores ao nosso entendimento que nós não saberemos mesmo, só quem sabe num plano superior ou no nosso "encontro com Deus", são crenças que cada um precisa ter pra seguir em frente. 
Então, resolvi escrever este pequeno post para falar que a luta maior passou, pra dizer que a dor eu convivo com ela que se assentou. 
Infelizmente eu terei que colocar a frase seguinte: para as novas mamães de anjo, saibam que o turbilhão vai passar, um dia, cada uma, a seu tempo, saberá lidar com sua dor.
Nossos anjinhos com certeza estão muito orgulhosos de cada progresso nosso,  afinal eles não querem mais nos ver sofrer. Acreditem!

Agradecimento a Cecylia, "Blog perdi meu bebê"

Aproveito aqui a oportunidade de postagens pra fechar o ano para agradecer a uma pessoa maravilhosa, que é uma benção, um ser iluminado, a criadora do blog "perdi meu bebê", que tem nos ajudado a seguir em frente, que se importa com nossa dor, pois vivenciou a perda...
Agradeço-lhe muito Cecylia por você esxistir em nossas vidas,pois através do seu blog pude me sentir acolhida e ver que não sou a única, tive a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas no chat que hoje se tornaram grandes amigas. 
Obrigada por tudo. 
Que Deus abençoe grandemente sua vida e que recompense-a por tamanha gratidão e compaixão pelo seu próximo.
Você é nossa inspiração!!!!

Vivendo o luto (fechando ao ano de 2011)

ÚLTIMAS SENSAÇÕES- VIVENCIANDO O LUTO
Neste momento estou prestes a completar um ano de luto, momento este de muita dor, aprendizagem, conhecimento, provações, enfim, um momento que só nos faz crescer, em todos os sentidos. Sinceramante não queria ter passado por isto, nem quis crescimento através da dor, mas teve que ser assim. 
Viver o luto requer muita força, é uma luta diária para se manter de pé. Contrariando as expectativas, o meu luto não se encerrou aos 6 mêses, até hoje eu o vivo, com menos intensidade como antes, mas a dor é minha companheira. Lidar com a dor, a falta, a perda é diário, e isto infelizmente machuca, corrói.
São inúmeras as sensações que vivi, como já relatei aqui no blog e as últimas que ficaram foram a falta, o vazio, hoje eu sinto muito por ele não estar aqui, eu me pego imaginando ele, vivendo as coisas todas que eu não vivi...sinto uma saudade, como se ele já tivesse vivido aqui, estranho né, ele não esteve aqui, mas a sensação é como se tivesse vivido a vida inteira comigo.
Outra sensação do luto, sensação de impotencia, é complexo, mas o que possso dizer, bem resumidamente é que me sinto impotente diante da vida, da situação, todos dizem que não foi minha culpa, mas sabe aquela sensação de mãe, afinal eu era a "responsável" por trazer esta vida ao mundo, assim, eu me sinto inferior, que não fui capaz...acredito que vocês estejam me entendendo, porque é muito profundo pra dizermos em palavras...Me sinto inferior a todas as outras mulheres do mundo que tiveram seus filhos, elas conseguiram e eu não, é mais ou menos esta a problemática...
Sinto coisas que as pessoas não sentem em seu dia-a-dia, por exemplo, todas as vezes que vejo um bebezinho meu coração bate forte, é uma dor inexplicável, mas ao mesmo tempo eu fico muito esperançosa pois eu sei que vou viver tudo isto, para algumas pessoas a caminhada é longa, para mim foi assim, e eu vou lutar até o fim, quando estarei postando aqui a foto de meu bebezinho.
Bom, pra fechar o ano, digo, principalmente para aquelas mulheres que estão vivendo o luto agora, que perderam seus bebezinhos agora, o desespero vai passar, isso é a unica certeza que possso lhes assegurar.
Fecho a ano com muita vontade de viver.
Fecho o ano com meu coração renovado, com a certeza da vitória!
Fecho o ano certa de que sou uma pessoa melhor e que estou aqui com uma missão nesta terra.
DEsejo a todas as mamães de anjos, muita força.

DEsabafo e a esperança depois da perda....


Ainda vou ouvir muitos casos de perdas gestacionais na vida, é triste ligar o computador e ver mais uma homenagem no blog "perdi meu bebê", ver um comentário aqui no meu blog sobre uma mãe que tem agora de conviver com a dor da perda. Infelizmente os casos não são isolados e infelizmente não temos o poder de nunca mais deixar que a perda aconteça. São várias as causas e a que me deixa mais triste e indignada ainda, é a negligência médica, é ouvir um desabafo no chat, que "o médico do postinho da minha cidade não cuidou de mim", isso me revolta, afinal sou vítima destes profissionais. Ouvi de tudo, vi de tudo, alguns casos poderiam sim ser evitados e temos que conviver com o fato de que bebês se foram porque não foram cuidados. Conheci uma mãe de anjo que era diabética e acreditem, perdeu o bebezinho de 7 mêses porque a médica que acompanhava não deu insulina pra ela, não deu o carinho e cuidado que ela precisava, é absurdo e me enoja. Tenho que ouvir casos de que o bebê está a ponto de nascer e o médico, sei lá porque, preguiça, má vontade, incompetencia, manda a pessoa voltar pra casa, ela por sua vez, sem condições de bancar um médico particular, volta pra casa e perde o filho... Casos de pressão alta que não são cuidados, na cidade de meus pais, uma amiga estava com o bebezinho sem desenvolver na barriga e o médico que cuidou não falou, quando ela chega em um médico particular ele assusta, diz: "querida, as ultrasons que vc fez dá pra saber que só tem um feto aí, nada mais", "seu bebezinho ta de 7 mêses e está apenas com 500grs. sendo que a estas alturas  o peso coreto é entre 1kg e 1,200kg"...final da história, foi encaminhada as pressas pra outra cidade e o bebezinho nasceu e faleceu 2 dias depois, agora pergunto, como assim? Alguém pode me exlicar situações como esta?
Infelizmente vou acordar a cada manhã e ver que continua acontecendo. Ficar a mercê da saúde pública no Brasil é um problema sério, saber que nem todas as pessoas poderão pagar pra serem atendidas dignamente me deixa muito triste.

Agora, deixando um pouco o desabafo de lado, vou falar de E-S-P-E-R-A-N-Ç-A. Acordei também  estes dias com uma esperança brotando na frente do meu computador, vi outros bebezinhos, de mães de anjos nascendo, eu me emocionei demais, ver ali  guerreiras, porque quem passa por isto e corre atras do sonho de ser mãe novamente e guerreira, é mulher de verdade. Eu vi que mais um bebezinho nasceu, veio pra restituir tudo aquilo que foi levado...isso me faz levantar a cada manhã com a alegria, com a esperança.
Infelizmente vamos ter que conviver com perdas mas também vamos nos encher de alegria com cada mãe de anjo que tiver seu bebezinho, que for presenteada. 
Estou feliz por elas, rezo por elas, guerreiras.

Resgatando um "pouco de mim"...

Nessa "corrida pela sobrevivência" a gente vai deixando pra trás tantas coisas que faziam parte de nós, que nos deixavam feliz!!Bom, pra começar, agora que o outubro está quase terminando eu resolvi fazer um post sobre uma antiga paixão minha, pra ser mais exata,  há quase 3 anos atrás quando o blog  foi criado, ele era pra falar de.... "Sandálias Melissa", que eram realmente uma paixão e compulsão minha. Engraçado né como a vida nos dá rasteiras, como as coisas mudam de curso, de sentido, o blog que foi criado no intuito de falar de coisas que gosto, seu nome inicial era: "Coisas de Marissa", depois de um tempo, vem a se destinar a homenagear o meu filho, que não está mais entre nós. Esta, resumidamente é a verdadeira história do blog.
Deixando um pouco as historinhas e o sentimento, vamos lá, vou colocar umas fotos da sandálias da coleção recente, que eu gosto muito( antes de estar com o coraçãozinho machucado, eu amava).







Sensível demais, cansada demais...

Tenho andado tão cansada ultimamente, tudo me deixa cansada...não é preguiça não, é um cansaço interno se é que me entendem!!!!Acho que é de tanto lutar contra a dor, contra o sofrimento que as energias vem acabando...
Sensibilidade a flor da pele também tem me ocorrido, eu ainda to juntando meus caquinhos por aí...
Será que chega uma hora que a gente não aguenta mais, será que eu preciso de uma viagem, de uns dias off por aí pra poder repor as energias...
Ai que luta!!!

Minha vida sem "ele"...


Diante de toda a felicidade que me destes enquanto esteve comigo, digo, meu filho , a dor e o vazio que eu sinto hoje sem você chegam a ser maiores que minha própria existencia! A mãe que passa pela perda de seu filho segue sua vida faltando um pedaço , é como andar sem rumo,é viver sem saber aoende chegar e o mais difícil, talvez seja se adaptar a nova vida sem o seu tão amado e esperado filho.
Minha vida sem ele é marcada por vários momentos, alguns tão fortes que eu mesma sinto pena de mim, chega a doer lá no fundo da alma. O primeiro momento de minha vida sem ele foi "acordar do choque", foi entender que aquilo tudo realmente tinha aocntecido comigo, que não foi um pesadelo da noite passada, foi real, os momentos de pavor foram vividos sim por mim! Muitas pessoas, familiares e amigos que estiveram no hospital  comigo me disseram que eu fui muito forte, me chamaram até de heroína, e eu passei muito tempo sem enteder, me relataram que durante as horas de indução do parto eu não dei nem um grito de dor sequer, mas sabem na verdade a dor maior era a interna, era a que corroía a minha alma, a dor física eu já não sentia mais naquele momento. Então, acredito que o maior sacrifício foi sair do choque, foi encarar a dura realidade de vir pra casa sem o filho, foi ter passado um parto normal e não ter visto o  meu filho no final, foi descer a rampa do hospital só com meu marido e com a malinha de maternidade, sim, foi com ela que eu voltei pra casa e junto, o meu mar de lágrimas...
Minha vida sem ele também passou por um período de profunda depressão, momento que eu não queria mais viver...Eu chorava dias a fio, um choro tão profundo, tão verdadeiro, eu precisava desabafar, sou do tipo que não aguenta guardar os sentimentos, sendo assim eu desabava. Falava dele e do fato o dia todo, ligava pra minha mãe que se desdobrava em palavras pra mim, colocava todas as situações, o que poderia ter acontecido se ele tivesse sobrevivido, nossa, todos penavam por mim. Meu marido, também sofredor, não sabia mais o que fazer por mim, ele as vezes de dava uns "chás de realidade" pra ver se eu levantava, se eu voltava ao normal. Então foram assim mais ou menos uns 6 mêses, já estava preocupada porque para os psicólogos, o luto dura em média este tempo e eu nada de melhorar. Tomei remédios antidepressivos, ficava "grog", mas quando passava o efeito eu voltava com o dobro das emoções... Sabem quando eu melhorei? Acreditem, foi depois que eu tive forças pra ver a foto que eles tiraram dele dentro do caixãozinho, vendo aquele bebezinho lindo , parecendo que estava dormindo eu me emocionei muito, me deu uma paz absurda. Vi que as pessoas não mentiam pra mim, realmente ele era um lindo menino, e ver aqueles traços muito parecidos com os meus me deu uma força do tamanho do mundo, era então "a primeira vez que eu estava diante de alguém parecido comigo". Depois de ver meu filho eu levantei mesmo, eu quis viver de novo e voltei a vida!
Minha vida sem ele é marcada pela falta, pelo vazio, pelo "espaço que é dele e que não foi ocupado. Minha vida sem ele é marcada por situações em que foi preciso muita força, por exemplo, ver os outros bebezinhos que nasceram junto, depois dele, ver que a vida continua, que as festinhas de aniversários de bebês vão continuar acontecendo, ver as fotos nos orkut de bebês de amigas minhas crescendo, e eu aqui, sem neunhuma alegria, sem poder compartilhar com meus amigos a felicidade de ver meu pequeno crescer...Engraçado, eu preocupei tanto com as grávidas da minha cidade, eu ligava pra elas pra saber se estavam bem, me preocupava quando alguma entrava nas 40 semanas, e olha o que a vida me prega, o meu bebê é que precisava de atendimento, de ajuda, de socorro...
Minha vida sem ele hoje, depois de 9 mêses é também marcada por uma saudade, imaginem, saudade do que não tive, somente uma "mãe de colo vazio" pode explicar isto. Eu sinto falta dele, falta talvez de não ter vivido tudo que eu imagina, porque foram muitos planos. Em uma das sessões com a psicóloga ela me disse que o meu sofrimento é exacerbado assim porque eu depositei toda a minha vida nesta criança, que eu fiz planos e tudo girava em torno dele e não de mim...Ora, eu não concordei mesmo, gente, era meu filho. Eu parei de trabalhar, fiz planos pra recebê-lo e cuidar exclusivamente dele e não me arrependo de jeito nenhum, faria tudo de novo, o foco era meu filho sim!!!Se sofrer demais for realmente por causa disto, que "sofrimento lindo né", vou para o túmulo na certeza de que vivi por ele e para ele e que ainda vivo por ele...
Minha vida sem ele é marcada por sofrimento, por falta, por vazio. 
Mas a minha vida sem ele me ensinou muito, me fez crescer, me fez querer viver de novo. Depois de todos os processos que tive que passar para chegar neste ponto, eu digo, eu evolui. Como diz Cissa Guimarães no vídeo que ela fez pro Fantástico e que também tá no blog, "se depois de uma porrada dessa da vida você não evoluir, que pena, você que deveria ter ido!" e é verdade, eu me tornei uma pessoa melhor, me preocupo mais com as pessoas, me preocupo mais em viver daqui pra frente. Eu sinto tanto a falta do meu filho, mas por trás desta grande dor eu tenho uma mulher tão forte dentro de mim! Tem horas que eu olho pra trás e vejo o quanto eu sou forte! Outras poderiam ter desistido no meio do caminho, como tenho exemplos aqui, mas eu não, com dor, carregando os cacos eu vou seguindo...Haverão dias em que eu estarei reclusa, no meu cantinho, comigo mesma, e dizendo:'"só me deixe aqui quieta, isso passa!" Passa sim. Eu quero dar exemplo para todas vocês que passam por isto que passei, ou por situações piores, como eu mesmo digo, não há dor maior ou menor, há dores, e elas são dores, que se manifestam de formas diferentes para cada tipo de pessoa. Não pense que sua dor é menor ou maior que a minha, há situações diferentes, porque a dor que a mãe sente independente de quanto tempo estava quando perdeu seu filho, é dor do mesmo jeito. 
Se me perguntarem por aí  tá tudo bem Marissa, eu digo, tá tudo bem!
Eu quero ser força! Eu quero ser força!
Minha vida sem ele daria pra escrever um livro...


Minha vida "com ele"...


A começo de conversa, minha concepção sobre a vida me faz defender que a "vida" se inicia desde o momento da concepção, pra ser mais sincera ainda, acredito que a "vidinha" já se inicia lá na corrida do espermatozóide maroto e espertinho atrás do óvulo.Diante disto hoje venho escrever aqui a minha vida com ele, com meu filho, que viveu dentro de mim e de nossas vidas, amigos, familiares e meu marido durante os 9 mêses que esteve "habitando nossos corações". Não dá pra passar em branco tudo o que eu vivi  na gestação do meu amado Lucas, um bebê, feto como a medicina chama, que marcou profundamente, que deixou sua luz e me ensinou muito, sobre superação e luta pela vida.
A gravidez foi muito tranquila,  não me esqueço do seu primeiro chutinho, bem discreto, acreditem, senti seus primeiros movimentos com 3 meses e meio, precoce ele né!!!Sim, meu meninão já dava seus primeiros "ois" pra vida aqui fora. Bom em se tratando de chutinhos, os dele eram uma partida de futebol inteira, como mexia este menino, subia na minha costela, dava piruetas em minha barriga, que alegria era isso, eu conversava com ele, falava do amor imenso que sentia e da sua importancia em nossas vidas; engraçado, uma amiga do blog me disse que esperitualmente falando, para sua crença, espiritismo, o meu bebê conseguiu absorver todo o amor que ele receberia em toda a sua vida dentro do meu útero, nossa, quando ela me escreveu isso me deu uma paz tão grande, porque de fato, amor ele teve demais, pra ser mais clara, eu enlouquecia de amores por este menino, eu me apaixonei loucamente por ele, tudo que eu fazia era por ele e para ele...nossa falando assim me dá aquele apertinho no peito, hum que saudade que me dá!!! Eu acordava todos os dias e ele parecia que acordava comigo também, ía fazer o café pro papai ir trabalhar e ele lá, "vamos lá mamãe, aperta o passo, já são quase 7 da matina, papai tem que ir kkkkk!!!!! lindo!!! E depois do café eu sentava no sofá e ia bater nossos papinhos, contava tudo pra ele,e falava dos nossos planos, ele "respondia", com mechidinhas...
Eu era tão neurótia, isso mesmo, porque morria de medo de acontecer algo com ele, que quando o pequeno estava tirando seu cochilo eu logo agitava a barriga, pra ele me dizer que tava bem que tava vivo, ironia do destino né, no último dia de vida ele não mexeu, desconfiei!!! Eu lia tudo, assinei boletins nos sites especializados em grávidas e todos os dias lia sobre seu desenvolvimento, acompanhei cada semana, cada dia...
Só que infelizmente quando a gente está grávida não olhamos os problemas, só as maravilhas, talvez se eu tivesse lido sobre problemas da gravidez talvez desconfiasse de alguma coisa, mas, enfim, não foi assim que aconteceu. Fiz curso de gestantes, aprendi a dar banho, trocar, tudo, pra estar preparda pra cuidar do rebento. Assisti vários vídeos de partos, tanto o normal quanto a cesárea, e morria de medo de parir normal, e mais uma vez o destino me prega uma peça, tive que dar a luz por parto normal, induzido e doloroso, mas tinha que ser assim!!!!
Os preparativos, nossa, que imensa alegria era comprar suas coisinhas, eu chegava nas lojas e mandava descer tudo, olhava, imaginava ele, que fofo!!! Encontrei uns sites na internet, de venda de roupas de bebê maravilhosas e eu comprava, e a espera pra que o produto chegasse, quando o carinha dos correios parava na minha porta era o dia da alegria, eu corria e pegava as caixas, abria um por um, imaginava meu lindo lá dentro das roupinhas...A que nos marcou foi um roupão de banho próprio para bebês, lindo, minha mãe adorava ele, é tanto que até hoje ela lembra e não tem nem coragem de ver este roupão, afinal era o primeiro netinho deles, imagino a dor que eles de certa forma escondem de mim.
As ultrasons, meu Deus que momento lindo que era,a primeira foi assim surreal, quando ouvimos o coração dele pela primeira vez choramos juntos, eu e meu marido, foi o som mais lindo que ouvimos...Cada uma foi gravada, agora por coincidencia, a ultima ultra e com certeza a decisiva, nós não gravamos, seria aquela indicativa de falta de liquido feita 10 dias antes dele nascer... não consigo perdoar o médico que a fez, ele disse que o liquido tava pouco mas que era normal...nossa, como eu queria ter o poder de voltar atrás de mudar este dia, de na verdade, nem ter ido a este médico!!!! Mas ele está nas mãos de Deus!!!!
Meu filho era luz, onde ele passava comigo deixava seu encanto, eu não entendia porque as pessoas queriam tanto me ver, se preocupavam exageradamente comigo, mas na verdade, nao era eu, era que as pessoas sem saber, estavam diante da luz de um anjo, sim, ele era um anjo!!!! Espiritualmente falando são muitos acontecimentos marcantes que denotam isto, mas só hoje eu consigo interpretar desta forma...
O amor que as pessoas tinham por ele era indescritível, todo mundo falava seu nome, Lucas, ele tinha sua identidade antes mesmo de nascer..
Minha vida com ele foi a mais bela, a mais linda!!Os momentos que passamos juntos me tornou uma pessoa mais amável,mais cuidadosa, mais humana mesmo. Eu senti o amor através do meu filho. Eu sinto tanto por não ter vivido nem um minuto de vida com ele, porque eu ia olhar dentro de seus olhinhos e lhe dizer meu filho eu amo você!!!!
Obrigada meu amor por ter tornado a minha vida um sonho enquanto esteve comigo!!!
Você me deu um exemplo de perseverança, de querer lutar pra viver, ele já estava doentinho porque acreditamos que o meconio tenha acontecido por volta das 38 semanas, e ele viveu, lutou por mais ou menos 15 dias pela vida, pra nao me deixar pior, ele não deixou nada de ruim acontecer com minha saude, minha vida, e por isto que eu estou aqui, lutando por cada dia de vida, por cada segundo de vitória que eu consigo, sabem, é muito dificil, mas eu estou aqui lutando pela vida assim como meu filho lutou!!!
Minha vida com ele foi amor, luz...
Minha vida com ele!


Sonhei com meu filho!


É com imensa felicidade que venho fazer este post hoje, eu pedi tanto a Deus que eu tivesse a oportunidade de um dia sonhar que eu estava cuidando do meu filho e depois de muito tempo isto aconteceu, foi muito bom, maravilhoso, eu tive a chance de viver um sonho lindo com ele, senti-lo, abracá-lo, e creio, que ele me deu esta chance. Não vou expôr aqui neunhuma crença, espiritualidade, até mesmo por não ter, mas dentro de mim, eu sinto que ele "veio" me ver, me dar a chance de sentir seu corpinho, sua presença. 
Não sei exatamente quanto tempo durou, mas no sonho foi duradouro. Foi mais ou menos assim, eu acordo todo dia as 6:30 da matina e hoje me deu um soninho, nisto eu liguei a tv e deitei no sofá, sonhei que eu acordara e estava de cara pro berço, fui lá tirei ele e fui logo indo trocar a fraldinha dele, tava cheia de cocozinho, e eu fui brincando com ele e trocando ele. Ai meu Deus que sensação inexplicável, que coisa linda, surreal. Só que no sonho eu tava sem saber onde estavam as coisinhas dele, procurava o talco, as fraldas e os lenços umedecidos, e no próprio sonho eu falava, com uma pesssoa que tava perto de mim no quarto, eu não sei onde tá nada, porque ele não ia sobreviver...muito estranho isto, no sonho ele tinha morrido, mas depois sobrevivido, acredito que seja devido a confusão da minha própria mente em saber o que é sonho e o que pe real. Ele era tão grandão, gordo, lindo e esperto, já tava reconhecendo as coisas, e me reconhecendo, lembro que eu brincava com a barriguinha dele e ele morria de rir. Depois, no sonho eu lembro de ter dormido perto dele e depois eu acordei de novo e ele não estava mais no meu lado, saí correndo e fui encontrar ele dentro do tanque de lavar roupa com água em cima dele, tipo afogando, eu fui correndo e vi ele lá, engraçado e estranho mesmo, é que a imagem que eu vi dentro do tanque é a dele na foto que eu tenho no seu velorio...Eu neste momento desesperei, corri, e tirei ele, e fiz umas massagens cardíacas nele, com todo custo ele voltou em vida, fiz uma respiração boca-a-boca e ele voltou, eu saí correndo com ele e voltei pro meu quarto, e lá parecia um paraíso, ele já estava bom e eu novamente pude cuidar dele, novamente, tirei a fralda e mais uma vez ele tava cheio de cocô...eu limpava aquilo com uma felicidade que não cabia em mim...E mais uma vez eu procurava fraldas, lembro que abri o guarda roupa e lá dentro estava um monte de fraldas sem embalagem, espalhadas, e eu falava, elas estão assim porque eu guardei tudo meu filho...sinceramente esta parte do sonho eu não sei explicar, porque, que no sonho ele tinha vindo pra mim novamente? Ele tinha "sobrevivido", e eu tinha plena noção de que eu tinha passado por tudo que passei, o diferente é que eu tava ali emocionada, encantada e podendo viver um pouco com ele de tudo que eu não tive a oportunidade de viver...Ai meu Senhor, que emoção a minha aqui escrevendo este post, foi tão real, eu acordei chorando porque eu senti que "ele" me deu a chance de viver um sonho lindo com ele!!!!
Foi tão marivilhoso limpar cocô de neném srsrsrrsr!!!!! Eu vendo ele ali mexendo as perninhas gordinhas, a barriguinha dele, linda...e tudo isto que eu vi são coisas desejosas em meu coração, que eu infelizmente não pude ver, sentir, tocar...
Tentando interpretar partes do sonho, acredito que o episódio dele inundado no tanque com água e tipo que "afogando", talvez tenha sido ele me dizendo que ele faltou líquido, porque sonho geralmente é ao contrário né... Ele aspirou mecônio, talvez tambem a agua afogando ele seja a metáfora de como fosse o mecônio... E eu estava o tempo todo limpando ele, mais uma relação com o que aconteceu. Ai quem me dera eu saber interpretar os sonhos!!!!
Mas não importa bem isso não, meu sonho foi relaizado e eu sonhei com meu filho, eu o sentipor alguns instantes, o seu cheiro, a sua pele, vi suas mãozinhas, seu pe, barriguinha, e amei, amei trocar fraldas....
Obrigada Deus, obrigada Lucas por ter vindo aqui "visitar "a mamãe que tanto te ama.
Gente termino este post muito emocionada, as lágrimas caem, mas é de felicidade, não se preocupem!!!!


Outubro...

Nossa, nem parecia naquela época, que chegaria o outubro, o novembro, enfim que o ano caminharia para o seu fim! Na verdade nada parecia que continuaria pois a vida tinha cortado o seu curso aquele momento, mas passou e a vida continuou. Acho engraçado, pra mim é ainda muito presente, eu estou consideravelmente melhor, mas ainda sofro muito, a dor é minha companheira, ali bem quietinha, no seu "cantinho", basta uma cutucadinha e ela vem com toda sua erupção. Mas como ia dizendo, é engraçado que a vida seguiu, as pessoas seguiram, tudo parece estar traquilo, as pessoas nem lembram mais do que aconteceu, ninguém mais chega perto de mim e toca no assunto, acho que não é mais por receio, é porque esqueceram mesmo...
Mas é assim mesmo, a vida que tomou um novo rumo foi a minha. Eu tive que arduosamente continuar os meus estudos, seguindo um curso que está na reta final, tive que continuar com tudo aqui, pois a vida não me deu "férias" nem descanso não. As vezes a gente quer ser "coitadinha" o resto da vida, mas aí vem a vida e te dá um pontapé daqueles, te diz: acorda! Vamos em frente! Hoje estava conversando com uma adorável amiga minha sobre o que estamos querendo da vida, no que "transformamos" e o que acontece diante de tudo isso,  chegamos a conclusão de que nada parou, nós que ficamos estáticas, paradas, mal arrumadas e desajeitadas nessa vida. Precisamos de um "up", vamos arrumar geral. Minha avó e minha mãe diziam que se a vida interior está uma bagunça, a gente também fica visualmente bagunçada, engraçado que é verdade. Eu tomei um susto comigo mesma, eu deixei de me arrumar, de me produzir, e saindo em uma festa percebi o quanto estou desarrumada, o quanto meu visual tá ruim, o quanto tudo me afetou negativamente. Isso precisa de uma "arrumação" total, que venha de dentro ao ponto de perpassar os muros invisíveis e alcançar o exterior, querer estar bonita, ter prazer em me arrumar. Claro né que não vou acordar maquiada, nem ter as unhas impecáveis todos os dias, afinal lavo, passo, cozinho cuido de tudo srsrrssrsr, mas pelo menos no final de semana tem que estar bem. Quando não estamos bem até sorrir se torna difícil, as pessoas vêem você muito desajeitada, parece que perdemos o "rebolado" da vida, tudo perde a cor, a vontade, você quer passar a vida pelos cantos, esperando a dó do próximao, ôooo coitadinha dela, perdeu o bebezinho!!!!  Vem um, vem outro, lisa a nossa cabecinha e nós aí so amontoando. Chega disto! Cadê a força que tinhamos antes? cadê a mulher de fibra, que corria atras das coisas? Ela continua aqui, vamos limpar tudo, arrumar tudo e dar um jeito na vida. É hora de levantarmos e revivermos, como diz a dor é minha companheira inseparável e vai ser até eu "partir" desse mundo, então eu preciso conviver da melhor forma possivel comigo mesma e com as pessoas que culpa nehuma tem e acabam pagando a conta junto com a gente. 
Não é fácil, não tenho a fórmula mas tenho a vontade de querer viver de novo. 
Tenho a vontade das pessoas olharem pra mim e pensarem: nossa que fibra! Que mulher guerreira!
Então outubro que venha, que chegue mudando tudo e levando embora com você toda a malemolência, toda a "sujeira" interior e me dê forças pra renovar, pra me reerguer e pra me transformar.

Ainda choro...

Inicio dizendo que só tenho a agradecer a Deus pela força que tem me dado, no início de tudo pensei que nunca sairia daquele estado crítico e hoje, quase 9 mêses depois digo que a dor ainda é muito presente, mas as coisas já estão tomando os seus lugares e estou convivendo com a minha dor, me adaptando e me ajeitando aqui e ali. Uma mãe que perde um filho pra sempre terá a dor em sua vida, só que ela não te enlouquece e aprisiona como no início, ela está ali, no seu lugar, convivendo nesta luta diária.
Ainda choro quando vejo bebezinhos nos colos de suas mães, pois afinal sou uma "mãe de colo vazio" como diz algumas amigas mães de anjinhos que conheço. Eu me emociono mesmo, isto ainda é muito forte em minha vida, ontem mesmo , em uma festa eu vi um bebê no colo e me aproximei, perguntei a mãe a idade dele e ela me falou, 5 mêses, eu, como sempre, engoli seco e tentei ao máximo me entreter com a criança, mas sempre imaginando o que eu não vivi com o  Lucas. Bebês de 5 mêse já estão bem "mocinhos", na verdade são lindos!!!! Aí  conversa vai, conversa vem, a pessoa pergunta: e você tem filho!!!! Eu respondo: tenho sim, só que mora no céu!!!! Sabe, eu fico com pena das pessoas, elas empalidecem, perdem a fala e depois se viram pra consolar a gente, eu fico realmente com dó, da reação das pessoas, coitadas, não sabem o que dizer!!!! Mas aí eu falo coisas e elas se "acalmam" um pouco. Mas a cada bebezinho que vejo eu me fortifico e penso que eu ainda vou passar por aquilo, para algumas pessoas a caminhada é mais dificil, mas há luz no fim do túnel e eu vou encontrar a minha.
O que eu digo no auto dos quase 9 mêses sem meu filho, é possivel sim continuar a viver. 
E por favor, nunca desistam dos seus sonhos.
Eu to perseguindo o meu!!!!

Mas não vou perder as esperanças

Muito falei, muito pensei, já tive dias ruins demais de nem querer sair da cama, mas agora eu digo que estou bem melhor, estou sentindo a E-S-P-E-R-A-N-Ç-A tocar em minha janela, tô sentindo a vontade viver de novo!!!Que benção divina! Eu mesma cheguei a pensar que nunca ía sair dessa dor que me matava por dentro, da sensação de impotência...

Digo a você que está passando por agora este momento de dor, que tudo vai se acalmar, a dor vai indo embora como as rajadas de ventos...
O que fica nisto tudo é a saudade!!!
O amor incondicional por um filho!
Eu determinei que vou lutar que vou engravidar de novo e vou ser vitoriosa;
O mais importante de tudo: cuidar-se!!! Estou em processo de mudanças há dois meses com o meu corpo, colocando as coisas no lugar, regulando os hormônios e a alimentação, tudo pra engravidar de novo!!
E logo estarei aqui fazendo deste blog o meu diário de gravidez!!!




Fotos de fraldinhas que fiz...(desmontando o quarto)

Pluto baby

Piu-piu

Esta é do Pato Donald bebê!!!!
Resolvi colocar aqui algumas das fraldinhas que eu contei pra vocês que bordei durante a gestação. Estas foram as primeiras e as que tem um grande significado para mim. As que tem o nome dele...
Aqui deixo o meu amor e a saudade!!!
Amamos você!!!

DESMONTANDO O QUARTINHO: FINAL


Há mais ou menos 1 mês eu iniciei a "saga desmontando o quartinho", e narrei aqui pra vocês, o quanto foi difícil. Prometi que estaria finalizando breve, mas demorou mais do que eu imaginava. Sempre acordava com o intuito de ir lá e terminar a arrumação, mas logo quando eu ia abrir a porta dava uma sensação de fraqueza, eu voltava e deixava pra depois, pois como prometido a mim mesma, eu não iria mais chorar lá dentro.
Bom, hoje eu revesti-me da armadura da coragem e lá fui eu, entrei, respirei fundo e foquei no que faltava, terminar a cômoda e empacotar tudo. Fiz, com muita dor e com a cabeça cheia de pensamentos de como seria hoje, depois de quase 8 mêses, como ele estaria e que aquelas roupinhas que eu estava guardando, nossa, não serviriam mais pra ele, porque ele nasceu bem grandão, ah, meu meninão!!!! Fui agora para o guarda-roupa e empacotei tudo que ainda estava lá, tinham ainda uns sapatinhos fora da caixa, coloquei tudo dentro das caixinhas que vieram e acoplei tudo dentro de uma caixa maior, selei, pronto, mais uma etapa cumprida. Durante o tempo que mexia nas cosinhas vinha aquele cheirinho, quase insuportável, (porque ele me faz lembrar do que não vivi) de bebê. O quarto até hoje tem cheiro de "sabonete pompom" rsrsrs, incrível, mas não saiu das roupinhas, elas não pegaram cheiro de guardado, estão intactas, até hoje, com o cheiro do amaciante que lavei e das borrifadinhas de perfume de bebê que eu joguei na época.
Era a hora de limpar e varrer todo o quartinho, fiz. Até cantei, não de felicidade, mas pra passar o tempo mais rápido. Quando a vontade de chorar vinha, eu firmava o pensamento, uma lágrima atrevida sempre insistindo em rolar e eu sendo mais forte que ela.
Finalizei colocando os móveis em um espaço que tem, (que futuramante transformaria em um pequenininho closed para ele), coloquei primeiro a cômoda, depois empurrei o berço e por fim coloquei o guarda-roupa virado , no sentido de tampar, esconder tudo, quem passa vê apenas o fundo do guarda-roupa, não vê a cômoda, nem o berço. Achei melhor assim, tudo lá no cantinho. Não tinha comprado as cortinas do quarto, então a janela ficou "limpa", como em um quarto simples.
Bom, terminei de arrumar o quarto e o que ficou foram os planos e a sensação de coisa não vivida, de um quartinho que nõa foi habitado, mas que já tinha sua identidade, até hoje quando nos referimos ao quarto, dizemos: "quarto do Lucas", mas sei que não é mais, não vou tranformá-lo em um museu, ele será o quarto do meu proximo filho ou filha, vou decorar tudo de novo, vou sonhar, vou me permitir viver tudo de novo. A lembrança de meu filho estará pra sempre em meu coração e vou falar para os irmãozinhos dele sobre sua passagem aqui na terra e sobre o amor que ele recebeu, pra sempre terá seu "altar, seu santuário em meu coração", ou melhor, nossos corações, pois tem um pai aqui comigo que sofreu tanto quanto eu, meus pais e os outros avós, amigos que o amaram profundamente. Eu digo que quase morri de amor por ele, era uma coisa arrebatadora, um amor desmedido e incondicional que eu dei a meu filho, na sua passagem de 9 mêses em minha vida. Creio que ele "absorveu" todo este amor e onde estiver, ele sabe disto.
Eu finalizei a arrumação do quartinho que ficou fechado por 8 meses, agora abri a porta e vou sempre arrumar. 
Me sinto como se tivese cumprido a missão! 
Estou revivendo, me reinventando e descobrindo que há luz no fim do túnel, eu vou viver por mim, por ele e por todos que acreditaram em minha recuperação. Ainda estou em processo de recuperação e cada progresso eu tenho como grandes votórias e é assim que vamos seguindo em frente.
Não vou desisitir de viver!

A você meu filho, meu amor eterno!

Abrindo o baú: resgatando preferências antigas...



Quando passamos por perdas muito significativas a primeira reação é se prostrar diante de si mesmo, da vida, deixando de lado as pessoas e as coisas que antes nos faziam feliz. Eu passei longos meses assim, não querendo fazer nada, me sentindo culpada por um sorriso que eu desse, pois na minha cabeça estava desrespeitando o luto, enfim, são reações "estranhas", mas compreensíveis para uma mulher que acabara de perder seu filho.
Queria me fechar no quarto escuro, porque assim achava que não incomodava ninguém, mas pelo contrário, aí que os familiares e amigos mais se preocupavam e aí vinham todos em cima de mim pedindo encarecidamente que eu reagisse. Bom, o quarto escuro eu venci, hoje eu já vejo as cores e a esperança, eu quero viver e ser feliz. Abro as janelas do quarto e de toda a casa, procuro arrumá-la e colocar cores alegres, claro, na medida do possível.
Também deixei de lado coisas que me deixavam feliz, por exemplo, eu sou enlouquecida por sapatos e passei meses a fio sem sequer querer calça-los, é sim, só ficava em casa com meu chinelinho srsrrssr. Amooo saltos e cores e nada me chamava atenção, mas hoje aos poucos estou recuperando tudo, já coloco meus saltinhos srsrrs, já penso em querer sair de casa.
Claro que é um processo, aos poucos mesmo, a passos lentos, devagar mesmo, mas aprendam que cada passinho, cada degrau que a gente sobe é muito valioso quando passamos por isto, evoluir sempre, nunca regredir. Já são quase 8 mêses sem meu anjinho, mas agora que estou renovando as esperanças, engraçado né, os especialistas me disseram que o luto dura 6 mêses, mas o meu ultrapassou muito , mas cada pessoa com o seu tempo!
O que eu digo para vocês que me seguem e para todas que passaram por situação semelhante é que só o tempo e a vontade de sair dessa é que vão dar os primeiros sinais de "melhora"....Não estou curada não, a falta de meu filho vai perdurar por toda a minha vida, posso ter 10 filhos, que sempre terei o lugarzinho do meu amor guardado em meu coração pra sempre! A dor vai se assentando aos pouquinhos, bem leve e suave, mas quando se olha para trás e vemo o "montante" disso tudo compreenderemos que aquele sorriso que você deu foi muito, acrescentou muito em todo o processo de recuperação.
"Abra o baú", resgate você dentro dele, resgate a esperança, a vontade, a perseverança, acho dentro dele, bem lá no fundo a pessoa que vivia em você, que era alegre, feliz, cheia de planos, que esperava ansiosamente por seu filho, cheia de amor, e agora que você se reencontrou, siga em frente! Entregue seu bebezinho a Deus, e deixe-o "descansar", diga-o em silêncio, em suas orações que você o amou e o ama profundamente e peça que seu filhinho, que agora ocupa a posição de anjo lá no céu, que cuide de você, ele ficará muito feliz em ver você aqui na terra seguindo em frente, querendo viver de novo!!!
É um longo caminho, um processo lento, mas aos poucos vamos evoluindo, vamos renovando as esperanças.
Vamos lá, abram o baú!!!!

É PRECISO TER CORAGEM!!!!


Você precisa ter coragem! Esta foi a frase que recentemente o médico me disse em uma consulta. Eu refleti muito em cima disto e hoje vejo que uma nova "tentativa" vem com o nome de "coragem", é preciso ter fé, é preciso vencer, entrarei em uma batalha quando decidir engravidar novamente, pois não vou deixar este sonho morrer, eu vou lutar e creio que com Deus na frente, um bom médico especialista e a ajuda de meus amigos e de todos que me gostam , eu vou ser vitoriosa. Espero poder contar com todos vocês que me seguem aqui no blog, que acompanham minha história, precisarei de todas as orações e de todas as energias positivas quando este grande momento chegar. Vi aqui em minha região mamães de anjos que hoje já tem outros filhos e mais recentemente a querida blogueira Nanda, que teve o lindo Cauan, um exemplo de força e determinação e acima de tudo, coraegem... A vitória vem para aqueles que tem audácia, que lutam e que desbravam montanhas se necessário... Quando meu momento chegar, peço-lhes que peçam Deus por mim!!!!

VOLTANDO A ACREDITAR, A FAZER PLANOS, A QUERER ESTAR VIVA


Tudo tem sido muito difícil desde que perdi meu filho há 7 mêses atrás, passei por tudo que se possa imaginar e sentir. Já quis desistir, já chorei, questionei e já quis também deixar de viver, de sorrir de fazer planos, de seguir em frente. Acho que isto acontece com todas que passaram pela perda, conversei com muitas pessoas e elas relatam reações bem semelhantes as que eu tive, sendo assim, fico até mais "tranquila" porque não estou diferente.
Bom eu agora estou caminhando para ter de fato uma evolução, eu agora quero viver de novo, quero ser feliz e fazer novos planos, antes eu não queria isto. Tem dias que eu acordo e não é mais tão doloroso viver, porque antes acordar era tão ruim, ter que enfrentar o dia, vencer tudo de novo, nossa como era dificil. Hoje já acordo com um fio de esperança dentro de mim, a esperança de que tudo pode melhorar, de que eu vou vencer esta "luta" e que vou superar. A falta que meu filho faz é incalculável, mas eu continuei aqui e preciso viver de novo, readaptando tudo, achando novas formas de viver e tentando ser feliz.Eu deixei neste tempo de gostar de coisas que gostava antes, e aquilo não fazia mais sentido para mim, hoje eu estou aos pouquinhos voltando a fazer coisas que fazia antes, voltando a dar um sorriso, mesmo que ele ainda não seja escancarado, mas consigo sorrir por algumas coisas, isto é um progresso. Hoje também já não sinto tanta pena de mim mesma, eu olho pra mim e penso, nossa, como eu estou superando, obrigada senhor por eu não ter desistido de mim!!!
Chagando ao ponto culminante: eu pensei em ter outro bebê, nossa, isso é uma marca do meu progresso, eu quero sonhar de novo com a gravidez de um novo bebê, e eu estou me preparando para isto. Deixa eu contar pra vocês, eu fui ao médico, agora um ginecologista e obstetra e voltei a planejar, creio que vai dar certo.
O que o médico disse é que eu preciso ter coragem!!!
As chances de dar certo ou errado são as mesmas de quando eu sonhei com a primeira gravidez e como é para qualquer mulher que queira engravidar, sendo assim, tudo pode acontecer e pra que isso aconteça eu preciso ser corajosa e serei.

Será que estou evoluindo?


Tenho andado um pouco sumida do blog, meu objetivo é sempre postar alguma coisinha sobre como andam as coisas...Mas então, estou aqui de novo e parece que as coisas estão evoluindo, já se passaram 7 mêses e confesso que tudo não é mais desesperador como antes não, eu sofro, choro, mas com mais calma, aos poucos estou colocando a cabeça no lugar. Nesse período de luto eu vi de tudo e ouvi de tudo, as pessoas me cobrando como já falei aqui em outros posts, pessoas fazendo de tudo pra me deixarem pra cima e uma luta diária pra ficar bem.
Nisso tudo duas coisas eu consegui enfrentar: a de que meu filho está ao lado do Pai no céu e ocupa a posição de anjo, talvez ele tenha sido um anjo desgarrado que caiu lá do céu em minha vida pra me fazer uma mulher de fibra, melhor, corajosa e me encher de luz, mas pra isso eu paguei um preço, a dor da perda de um filho... Não estou me iludindo não, quem tiver lendo pode até pensar que eu estou criando histórias e situações para amenizar a dor, mas não é, fiquem calmos, eu estou mais sensata do que em toda a minha vida, como diz Cecília Meireles: " quanto mais me despedaço mais fico inteira e serena"... Penso que se não existir algo "superior" a nós, não haverá sentido pra nada.
Bom a segunda coisa é que estou melhorando muito. Digo isto com certeza, vejo meus pequenos progressos, aos poucos me arrumando, me ajeitando e me consolando, mas de uma forma não tão cruel comigo mesma. No início me culpava demais por não ter feito isto, aquilo e tal, mas hoje vejo que se foi meu destino nada adiantaria, talvez não tenha mesmo como mudar as coisas, já estejam escritas. Mas não estou aqui dizendo que devemos engravidar e sentarmos esperando o bebê nascer, não, gravidez é coisa séria e exige cuidados especiais, eu hoje, sei como é importante um pré-natal "bem feito", o que quis dizer foi algo mais profundo, "eu com meus botões mesmo".
Bom, termino este post dizendo a todas que passaram e que estão passando por esta dor, é preciso se reinventar, criar uma nova forma de viver com a perda, porque não é possivel sermos da mesma forma, nos readapatamos a nossa nova condição.
Agradeço a todos que me acompanham nesta caminhada obrigada por tudo.
Fiquem com deus!!!!

DIA DOS PAIS


Bom, tudo seria totalmente diferente, estaria acordando cedinho, preparando um café e o presentinho e indo acordar o papai no quarto, eu e você meu filho, faríamos o primeiro dia dos pais junto com o papai, ele ia adorar...mas isto "seria". Hoje acordamos mito tristes e lembramos desta passagem escrita acima e o que nos sobrou, um vazio imenso e uma vontade de sair gritando para ver se alivia...
Mas não podemos perder a esperança, já que tivemos que passar por isto deus acreditou que seríamos fortes o sufciientes e estamos, vivos, é o que podemos responder!!!!
Creio que vamos sim passar por datas assim, vamos lutar enquanto tivermos vida...
Aproveito aqui pra desejar um feliz dia dos pais ao meu pai, um guerreiro, lutador e trabalhador que me ensinou tudo que sou nesta vida, amo o senhor...
Ao meu marido, um feliz dia dos pais meu amor, você é pai sim do nosso bebezinho para sempre, tenho certeza de que seria o melhor pai do mundo e você é, e será pai dele eternamente, e será também pai dos que ainda teremos.
Aos papais leitores do blog que passaram pela dor da perda, sejam fortes a hora vai chegar.