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Minha vida sem "ele"...


Diante de toda a felicidade que me destes enquanto esteve comigo, digo, meu filho , a dor e o vazio que eu sinto hoje sem você chegam a ser maiores que minha própria existencia! A mãe que passa pela perda de seu filho segue sua vida faltando um pedaço , é como andar sem rumo,é viver sem saber aoende chegar e o mais difícil, talvez seja se adaptar a nova vida sem o seu tão amado e esperado filho.
Minha vida sem ele é marcada por vários momentos, alguns tão fortes que eu mesma sinto pena de mim, chega a doer lá no fundo da alma. O primeiro momento de minha vida sem ele foi "acordar do choque", foi entender que aquilo tudo realmente tinha aocntecido comigo, que não foi um pesadelo da noite passada, foi real, os momentos de pavor foram vividos sim por mim! Muitas pessoas, familiares e amigos que estiveram no hospital  comigo me disseram que eu fui muito forte, me chamaram até de heroína, e eu passei muito tempo sem enteder, me relataram que durante as horas de indução do parto eu não dei nem um grito de dor sequer, mas sabem na verdade a dor maior era a interna, era a que corroía a minha alma, a dor física eu já não sentia mais naquele momento. Então, acredito que o maior sacrifício foi sair do choque, foi encarar a dura realidade de vir pra casa sem o filho, foi ter passado um parto normal e não ter visto o  meu filho no final, foi descer a rampa do hospital só com meu marido e com a malinha de maternidade, sim, foi com ela que eu voltei pra casa e junto, o meu mar de lágrimas...
Minha vida sem ele também passou por um período de profunda depressão, momento que eu não queria mais viver...Eu chorava dias a fio, um choro tão profundo, tão verdadeiro, eu precisava desabafar, sou do tipo que não aguenta guardar os sentimentos, sendo assim eu desabava. Falava dele e do fato o dia todo, ligava pra minha mãe que se desdobrava em palavras pra mim, colocava todas as situações, o que poderia ter acontecido se ele tivesse sobrevivido, nossa, todos penavam por mim. Meu marido, também sofredor, não sabia mais o que fazer por mim, ele as vezes de dava uns "chás de realidade" pra ver se eu levantava, se eu voltava ao normal. Então foram assim mais ou menos uns 6 mêses, já estava preocupada porque para os psicólogos, o luto dura em média este tempo e eu nada de melhorar. Tomei remédios antidepressivos, ficava "grog", mas quando passava o efeito eu voltava com o dobro das emoções... Sabem quando eu melhorei? Acreditem, foi depois que eu tive forças pra ver a foto que eles tiraram dele dentro do caixãozinho, vendo aquele bebezinho lindo , parecendo que estava dormindo eu me emocionei muito, me deu uma paz absurda. Vi que as pessoas não mentiam pra mim, realmente ele era um lindo menino, e ver aqueles traços muito parecidos com os meus me deu uma força do tamanho do mundo, era então "a primeira vez que eu estava diante de alguém parecido comigo". Depois de ver meu filho eu levantei mesmo, eu quis viver de novo e voltei a vida!
Minha vida sem ele é marcada pela falta, pelo vazio, pelo "espaço que é dele e que não foi ocupado. Minha vida sem ele é marcada por situações em que foi preciso muita força, por exemplo, ver os outros bebezinhos que nasceram junto, depois dele, ver que a vida continua, que as festinhas de aniversários de bebês vão continuar acontecendo, ver as fotos nos orkut de bebês de amigas minhas crescendo, e eu aqui, sem neunhuma alegria, sem poder compartilhar com meus amigos a felicidade de ver meu pequeno crescer...Engraçado, eu preocupei tanto com as grávidas da minha cidade, eu ligava pra elas pra saber se estavam bem, me preocupava quando alguma entrava nas 40 semanas, e olha o que a vida me prega, o meu bebê é que precisava de atendimento, de ajuda, de socorro...
Minha vida sem ele hoje, depois de 9 mêses é também marcada por uma saudade, imaginem, saudade do que não tive, somente uma "mãe de colo vazio" pode explicar isto. Eu sinto falta dele, falta talvez de não ter vivido tudo que eu imagina, porque foram muitos planos. Em uma das sessões com a psicóloga ela me disse que o meu sofrimento é exacerbado assim porque eu depositei toda a minha vida nesta criança, que eu fiz planos e tudo girava em torno dele e não de mim...Ora, eu não concordei mesmo, gente, era meu filho. Eu parei de trabalhar, fiz planos pra recebê-lo e cuidar exclusivamente dele e não me arrependo de jeito nenhum, faria tudo de novo, o foco era meu filho sim!!!Se sofrer demais for realmente por causa disto, que "sofrimento lindo né", vou para o túmulo na certeza de que vivi por ele e para ele e que ainda vivo por ele...
Minha vida sem ele é marcada por sofrimento, por falta, por vazio. 
Mas a minha vida sem ele me ensinou muito, me fez crescer, me fez querer viver de novo. Depois de todos os processos que tive que passar para chegar neste ponto, eu digo, eu evolui. Como diz Cissa Guimarães no vídeo que ela fez pro Fantástico e que também tá no blog, "se depois de uma porrada dessa da vida você não evoluir, que pena, você que deveria ter ido!" e é verdade, eu me tornei uma pessoa melhor, me preocupo mais com as pessoas, me preocupo mais em viver daqui pra frente. Eu sinto tanto a falta do meu filho, mas por trás desta grande dor eu tenho uma mulher tão forte dentro de mim! Tem horas que eu olho pra trás e vejo o quanto eu sou forte! Outras poderiam ter desistido no meio do caminho, como tenho exemplos aqui, mas eu não, com dor, carregando os cacos eu vou seguindo...Haverão dias em que eu estarei reclusa, no meu cantinho, comigo mesma, e dizendo:'"só me deixe aqui quieta, isso passa!" Passa sim. Eu quero dar exemplo para todas vocês que passam por isto que passei, ou por situações piores, como eu mesmo digo, não há dor maior ou menor, há dores, e elas são dores, que se manifestam de formas diferentes para cada tipo de pessoa. Não pense que sua dor é menor ou maior que a minha, há situações diferentes, porque a dor que a mãe sente independente de quanto tempo estava quando perdeu seu filho, é dor do mesmo jeito. 
Se me perguntarem por aí  tá tudo bem Marissa, eu digo, tá tudo bem!
Eu quero ser força! Eu quero ser força!
Minha vida sem ele daria pra escrever um livro...


2 comentários:

  1. Oi minha linda...

    Então escreva um livro...faça tudo que voce tem direito,mas,comece trocando essa psicologa,ora,ora..qual a mãe que não tem as expectativas pela vida do seu filho maior que da sua propria vida?...voce disse tudo nesse lindo post...eu me vi nele...a depressão...os remedios...a vida de ""grug" que vivemos...eu ainda estou nesse processo do luto,fizeram 6 meses e não vejo sinal do fim....a minha psicologa já foi mais generosa,disse que posso levar até 2 anos dois anos,pra comecar a me recuperar...mas,não importa...se 6 meses ou dois anos...a nossa vida já foi mudada pra sempre.Eu tenho sentido agora sinais fisico e na minha saude ,alem da depressao e tantos remedios,agoro me sinto tonta e meu corpo exausto...nunca mais vou ser a mesma..posso até me tornar melhor,mas,nunca a mesma...e eu era feliz sendo com eu era antes....pena que Deus nos escolheu pra viver essa experiencia profunda...

    Espero que voce logo encontre sua batinha branca pois poderá usar logo,logo na sua gravidez...
    beijo grande..
    Cassia

    ahhh...passa la no meu blog...ta de cara nova..

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  2. Cassia querida, sempre querida!!! é sempre muito bom receber você no blog, falar com vc. Este post foi muito profundo pra mim, pois coloquei pra fora tudo quesentimos diane do ocorrido, os momentos difíceis...Me preocupoquandovocê diz do seu estado físico, não deixe cassia a dor tomar conta de você, por mais difícil que seja...Sobre a psicóloga eu ja parei, não vou mais rssrsrrrs!!!E a batinha, nossa que seja um presságio, que logo a cegonha passe por aqui mesmo.Um grande abraço e força sempre!!!!!

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